Para que vocês finalmente consigam identificar aquilo que são...
Assumir-se (p. ext., assumido ou assumida): processo de auto-aceitação que pode durar a vida inteira.
Bissexual: indivíduo amorosamente, fisicamente e espiritualmente atraído tanto por homens como por mulheres. Os bissexuais não precisam de ter tido experiências sexuais equivalentes com homens e mulheres. Na verdade, não precisam de ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como bissexuais.
Casamento gay: utilizar este termo somente para descrever uniões religiosas e civis assim registadas entre pessoas do mesmo sexo, prática adoptada, por exemplo, por algumas igrejas protestantes e religiões não-cristãs. O casamento é diferente da união de facto – que não prevê um casamento civil entre homossexuais conforme o entende a legislação portuguesa e não assegura, inclusive, direitos idênticos aos dos casamentos heterossexuais. (esta aplica-se especialmente ao MAD e ao JAKARE)
Cross-dresser: termo genérico usado para descrever qualquer indivíduo que se vista com roupas do sexo oposto. Pode ser aplicado para designar os travestis, os transformistas e os drag queens/drag kings (consultar termos), indistintamente. Não costuma ser aplicado aos transgéneros, já que, neste caso, outros factores importantes impõem uma definição à parte.
Desvio sexual: TERMO PROBLEMÁTICO. A homossexualidade não é considerada “desvio sexual” desde 1985 pela Organização Mundial de Saúde, e os estudos contemporâneos de forma alguma corroboram a antiga teoria de que ser gay ou lésbica era fruto de desordens ou deficiências psicológicas. Termo altamente ofensivo, pois indica que a homossexualidade é uma “anomalia”, fora da “normalidade” heterossexual.
Drag king: versão “masculina” da drag queen (consultar termo), ou seja, trata-se de uma mulher que se veste com roupas masculinas. Porém, ao contrário da drag queen, não necessariamente com intenções satíricas ou de humor. Praticamente inexistentes em Portugal.
Drag queen: homem que se veste com roupas femininas de forma satírica e extravagante. Uma drag queen não deixa de ser um tipo de transformista (consultar termo), pois o uso das roupas está ligado a questões artísticas – a diferença é que a produção necessariamente focaliza o humor, o exagero. Embora muitos drag queens sejam homossexuais, não há uma relação necessária entre esta actividade, que pode ser vista como profissional, e a orientação sexual do indivíduo.
Enconado: TERMO PROBLEMÁTICO. Designa, geralmente de forma pejorativa ou depreciativa, o indivíduo que não admite a sua orientação afectivo-sexual, frequentemente nem para si próprio. Devido à carga ofensiva, o termo não deve ser utilizado, excepto se for citado por outrem, como numa entrevista, por exemplo – caso em que deve ser grafado entre aspas, como forma de destacar a opinião pessoal de quem o proferiu.
Gay: termo usualmente empregue para descrever homens atraídos amorosamente, fisicamente e espiritualmente por outros homens. Os gays não precisam de ter tido experiências sexuais com outros homens. Na verdade, não precisam de ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como gays. O termo também pode ser usado num sentido colectivo, para descrever toda a comunidade LGBT (consultar termo), embora não deva fazê-lo, pois isso é redutor da diversidade efectivamente existente.
Termos pejorativos/depreciativos/ofensivos: os termos utilizados de forma ofensiva, depreciativa ou pejorativa para descrever gays são inúmeros e bem conhecidos. Nesta categoria, encaixam-se palavras como bicha, paneleiro, picolho, efeminado, maricas, mariconço e muitas outras, as quais jamais devem ser usadas para se referir a qualquer integrante deste grupo num material jornalístico, excepto se forem citadas por outrem (p.ex., numa entrevista), contexto no qual devem ser grafadas entre aspas para destacar a opinião pessoal de quem as proferiu.
As palavras sodomita e pederasta, por sua vez, são termos com origem histórica diversa: sodomita referindo-se ao acto genital, e pederasta, ao sexo com pessoas mais novas (como na Antiguidade Clássica). Não englobam a riqueza e a complexidade de uma relação amorosa entre duas pessoas adultas, e, por isso, aplicam-se a elas os mesmos princípios explicitados acima.
Generalizações inadequadas: não se deve utilizar adjetivos (como alegre, sensível, delicado e outros) para se referir de forma genérica aos gays, pois isto cria estereótipos. Os gays encerram uma diversidade tão rica quanto a de qualquer outro grupo social, como os próprios heterossexuais. Assim, atrelar qualquer adjectivo à orientação sexual da pessoa, e não à própria pessoa, é contribuir para a desinformação, o que não condiz com os objectivos do jornalismo. No caso de os termos serem citados com esta acepção por outrem, deve-se seguir novamente o princípio da grafia entre aspas.
Homoafectividade: atracção afectiva e sexual entre pessoas do mesmo sexo. Este termo é sinónimo de homoerotismo e homossexualidade, e a sua vantagem é conotar também os aspectos emocionais e espirituais envolvidos na relação amorosa de gays e lésbicas. Não é usado para descrever pessoas, quando podem ser usados os termos gay, lésbica ou mesmo homossexual.
Espero ter-vos ajudado!
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