Talvez... delicioso
"Uma traição" de Miguel Esteves Cardoso
Toda a vida me esforcei por ser leal - e fui, sem nada me custar -, mas bem que me saberia um gostinho fugaz de traição bem vil. Cobardemente, escolho atraiçoar a classe mais leal a dos jornalistas, a que orgulhosamente pertenço, que eles e elas nada perdoam mas tudo esquecem. Ou talvez seja ao contrário e tudo perdoem e nada esqueçam; já não me lembro. Somos os melhores entre os maus: aqueles que, estando no inferno, mijam nas fogueiras ou, caso ascendamos ao céu, nas harpas dos anjos, entorpecendo as cordas.
Este Governo de José Sócrates é bem capaz de ser o primeiro que não só não liga aos jornais como - estocada mortífera - tem pena de não ter tempo para lê-los, porque gosta, numa tarde domingueira no Pinóquio, diante de um pargo assado no forno com todas as obsessões possíveis, de folhear os lombos do peixinho e saborear a sua opiniãozinha francesa ou inglesinha simultaneamente, como quem se sabe divertir.
Agora vem a traição. Os jornais não gostam do silêncio. O nosso oxigénio é a especulação com uma dose forte de denúncia.
Ficaram com água na boca? Leiam o resto aqui. Vale a pena
NM
Toda a vida me esforcei por ser leal - e fui, sem nada me custar -, mas bem que me saberia um gostinho fugaz de traição bem vil. Cobardemente, escolho atraiçoar a classe mais leal a dos jornalistas, a que orgulhosamente pertenço, que eles e elas nada perdoam mas tudo esquecem. Ou talvez seja ao contrário e tudo perdoem e nada esqueçam; já não me lembro. Somos os melhores entre os maus: aqueles que, estando no inferno, mijam nas fogueiras ou, caso ascendamos ao céu, nas harpas dos anjos, entorpecendo as cordas.
Este Governo de José Sócrates é bem capaz de ser o primeiro que não só não liga aos jornais como - estocada mortífera - tem pena de não ter tempo para lê-los, porque gosta, numa tarde domingueira no Pinóquio, diante de um pargo assado no forno com todas as obsessões possíveis, de folhear os lombos do peixinho e saborear a sua opiniãozinha francesa ou inglesinha simultaneamente, como quem se sabe divertir.
Agora vem a traição. Os jornais não gostam do silêncio. O nosso oxigénio é a especulação com uma dose forte de denúncia.
Ficaram com água na boca? Leiam o resto aqui. Vale a pena
NM

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